30.11.06

Russkiy kovcheg



Russian Ark, Aleksandr Sokurov

Os blogues bons, maus, assim-assim, anónimos ou não são uma espécie de Arca museológica digital das nossas pegadas. Somos animais com arcas na cabeça! Mas assim como funciona o hardware dos computadores temos de "guardar" tudo o que não "nos cabe dentro" cá fora. Fossilizamos para o tempo que podemos, da forma que podemos, em corpos presentes as ausências do amanhã. Temos todos muito medo da perda. Sempre tive medo de morrer só mas tenho a certeza de que é inevitável. E no fim do acto o espírito foge sempre da matéria inerte. Só o que deixámos visto, ouvido, lido, pensado, sentido, tocado, experimentado e sentido
fora do corpo resiste ao tempo da própria matéria.

No suprises



Radiohead

We're in love



Elysian Fields

Sugar Kane



Sonic Youth

Maps



Yeah Yeah Yeahs

29.11.06

De cara a la pared



Lhasa de Sela

El desierto



Lhasa de Sela

Ode to my family



The Cranberries, Album: No need to Argue; 1994

Linger



The Cranberries

Dreams




The Cranberries, album :Everybody else is doing it, so why can't we ?; 1993

Viaggio in Italia





1954, Roberto Rossellini , com Ingrid Bergman e George Sanders.

27.11.06

bibelot de natal



É deprimente observar a árvore de natal artificial que "plantaram" no Terreiro do Paço. Não menos deprimente é ver a fila de pessoas que se dirige para esta praça todos "contentinhos" para vê-la iluminada.
Para as pessoas que de vez em quando são obrigadas a passar por ali e não gostam de ver aquele "king kong inanimado", a minha solidariedade. Parece que o objectivo da câmara de desviar as atenções do esburacado e desorganizado da praça foi ligeiramente (só ligeiramente) conseguido. Agora, em vez de olharmos com ódio, falta de paciência, e lamentarmos o aspecto e organização do espaço urbano em causa, fazêmo-lo em relação à feia "árvore". Ó meus Palermas, responsáveis por tamanha estupidez e falta de gosto, ao menos plantavam uma verdadeira!
Basta saltar para fora dos limites do nosso mal amado País para percebermos que sempre fomos um país de gostos duvidosos, e que não herdámos este "gene" dos nossos pais (os Castelhanos).

boneco (continuação 2 da história)


Ama como a estrada começa.

Mário Cesariny

Down by law



1986; Jim Jarmush; com o sr. Tom Waits.

22.11.06

Intolerance

Esta é a Babilónia imaginada por D.W. Griffith , em 1916, faustosa, imponente, rica, majestosa, digna de ter sido cobiçada pelos Arameus, Assírios, caldeus, e de se ter tornado inimiga dos hebreus, após a destruição de Jerusalém,pelos babilónios, obrigando os Judeus ao Exílio.
Como em todas as grandes civilizações,que se construiram na guerra, no saque, e na destruição, nenhum espaço resta para a "tolerância". Aliás, tolerância vem do latim tolerare, que "obriga" à aceitação "caridosa" de condutas morais, culturais e civis divergentes das do sujeito a quem é suposto ter de as suportar.

Se o mundo se tivesse construído na base da "tolerância" nunca se teriam construído as pirâmides, os Zigurats, os templos gregos, as cidades, os castelos, os palácios, as igrejas, nunca as civilizações teriam atingido o seu auge nem a sua queda. Seriamos todos muito "amiguinhos" uns dos outros cada um com o seu "quintal" sempre com o mesmo tamanho, porque chegou primeiro e porque não podia querer ocupar o do vizinho. Nunca existiria espaço público, porque agregado à tolerância vem o sentimento de que eu sou diferente, logo tenho de tolerar o outro no espaço que nos é comum, e como nenhum cede nos seus princípios, a partilha de espaço é ineficaz.
Utopicamente viver numa civilização tolerante é acabar com os conflitos, porque seremos todos capazes de viver "o nosso espaço" porque o outro não nos incomoda. Talvez o ideal de cidade tolerante seja um grande campo amorfo, onde cada indivíduo dentro da sua cápsula consiga suportar a presença do "diferente", e ao mesmo tempo mantendo-se conservado(inalterado) na sua individualidade. É uma cidade incógnita sem características culturais próprias, amedrontada, incapaz de se marcar nas pessoas pela sua demasiada "tolerância" para todos. Não tem forma, porque nem todos gostam de habitar "nas mesmas formas" (diferente de habitar da mesma forma, neste caso é mais "o lugar do corpo").
Se ser tolerante no amor é anular-se na presença do outro e o outro a mesma coisa, passam a ser o quê?
Tolerância é a bomba que detonará a civilização, porque não é suportável e só gera mais raiva e intolerância recalcadas. A contemporaneidade sofre de "tolerancietite"! O modernismo com a sua forma higienista, de emergência e de tolerância de resolver problemas a todos de forma igual, e depois, no estilo internacional, já completamente desprovidos do lugar que os "enformam" e os tornam culturalmente presentes, destruiu a relação indispensável entre o sujeito, o lugar e o seu habitar. É completamente estapafúrdio "enfiar" pessoas em lugares onde nunca moraram, nem nunca morariam. Na Madeira há bairros sociais que até têm uma "arquitectura" aceitável nos meios eruditos da arquitectura (pelo menos antes de alguém ter pela primeira vez usado a retrete) que no entanto foram autênticos fracassos para os fins a que se destinavam (não falo do fracasso da unidade de habitação da Ville marseille do Le Corbusier, porque ainda não estive lá), as pessoas plantavam couves na banheira, portanto não conheciam aquele habitar "empilhado" e segregado socialmente, e geograficamente longe da "cidade".
Uma vez num exame oral de Teoria da Arquitectura um professor interpelou-me depois de eu ter falado nas formas da arquitectura de Gaudí. Perguntou-me se eu achava a forma fundamental no discurso da arquitectura? Respondi-lhe que sem forma não há espaço e que todo o espaço resulta da relação do sujeito que habita com a forma que o "enforma" (porque somos seres em coisa física- o corpo). Embora discorde absolutamente com o modulor do Corbusier , precisamente porque este entende o corpo como uma máquina, ou seja, um somatório de elementos com determinados comportamentos mecânicos, onde se incluem exclusivamente parâmetros objectivos relacionados com métricas (médias), como se de corpos vazios de gente se tratassem.

20.11.06

Strange little girl



Tori Amos

Life on mars



Versão original, David Bowie



Versão alterada, Seu Jorge

Starman



Versão original, David Bowie



Versão alterada, Seu Jorge

A vida está cara para ir aos concertos todos que aparecem!




Red Thread, Lisa Germano



Nude as The News, Cat Power

Megalomaniac Society



All about Eve; Joseph L. Mankiewicz

19.11.06

All mixed up



Red House Painters

As I Sat Sadly By Her Side



Nick Cave

God's Gonna Cut You Down



Johnny Cash

Albert Speer

Nunca foi manipulado pelo Hitler, a sua ambição era semelhante à do Fürher. Como ele, Speer queria "higienizar" e "estetizar" a cidade de acordo com a sua "unividência".

Sempre se defendeu durante e após o julgamento em Nuremberga, que não sabia o que se passava nos campos de concentração, coisa estranha para alguém que os teria desenhado e vistoriado, várias vezes. Isto para não falar da destruição projectada por ele de todos os "bairros" Judeus.

O filho, também ele arquitecto e urbanista, que sem medo usa o sobrenome Speer defende-se dizendo
sempre que era muito pequeno quando lidou com esse mundo, e que por isso pouco ou nada resta dessas memórias. Faz contudo questão de sublinhar que sem o desenho da cidade a arquitectura boa ou má tem pouca salvação, e que uma arquitectura, mesmo que má, inserida num bom plano urbano terá sempre salvação. Esta visão seria à partida a ideal se as tentativas de "ditar" e "estabelecer" os "parâmetros" de um "bom urbanismo" não tivessem ao longo da história tido as repercussões trágicas que todos nós conhecemos. É demasiado perigoso fazer afirmações de "salvação" pela manipulação do espaço físico, isto porque não tratamos de objectos, não falamos de esculturas sem ninguém dentro. As "casas" "empilhadas" ou "sós" têm "entranhas" para morar gente, e as ruas, praças, jardins, campos, e as relações de espaço privado e espaço público falharão sempre quando se basearem em ideais utópicos de "arrumos" para grupos sociais apelando ao convívio forçado, e consequente guetização de comportamentos e grupos. Haja pachorra!

17.11.06

tirar ou não tirar as meias

George Constanza in Seinfeld
pegada humana

KOYAANISQATSI - Theatrical Trailer
Artérias

Koyaanisqatsi, realização Godfrey Reggio, Produção Francis Ford Coppola

16.11.06

ser ou querer ser miserável

Ainda me lembro quando íamos passar os fins de semana ao Porto da Cruz, terra na encosta Norte da Ilha. O meu pai ía sempre mais cedo, para atender os "doentes"(hoje chamados de pacientes) no consultório improvisado na casa da minha bisavó. Quando lá chegávamos com a minha mãe, depois de muitas peripécias passadas nas curvas e contracurvas a pique num mini azul, víamos sempre sacos com batatas, feijão, couves, galinhas, carne de porco, bananas, maracujás,arassais e inhame, na cozinha. Era normalmente a forma de pagamento destas pessoas. No natal traziam-lhe garrafas de vinho, whisky (ou "uísque" como diz o meu pai) e bolos de mel. Estas garrafas duravam sempre muito tempo, até ganharem pó, e lá se iam acumulando ano, após ano, sem ninguém lhes tocar.
Hoje as pessoas do Porto da Cruz já têm direito a um centro de saúde,a uma escola básica e a estradas menos acidentadas. O Porto da Cruz já não está tão envelhecido como antes, mas hoje já não conheço ninguém de lá. As pessoas preferem ir à piscina que se construíu a ir à praia de areia preta com um mar traiçoeiro que já engoliu algumas pessoas. A quantidade de garrafas continua a crescer, embora não saibamos se estão cheias ou vazias.
Eu e o sr jMAC quando viémos da ilha trouxémos três dessas garrafas de Wiskhy, não havia Wiskhey (irlandês), e transportámos até à ilha Terceira e depois até Lisboa, sem que nos tivéssemos apercebido de que umas delas estava quase vazia. Coisa estranha pois a garrafita parecia intactamente embalada!
Isto só quer dizer que quando os meus pais chegam a casa para almoçar e sentem que a empregada tem um cheiro inconfundível a bebida, e pensam que ela passa na tasca antes de vir trabalhar ou que esteve num arraial no dia anterior( "Ó L. não devia beber nas festas, isso faz-lhe mal ao fígado!" que tem sempre a resposta "Ó srª não bebi nada, isto é da pasta de dentes!") afinal ela bebe destas garrafas tentando mantê-las aparentemente intactas. Para nós é-nos indiferente "perder" estas garrafas, o problema está em ajudar pessoas que não querem ser ajudadas. São como as crianças que se pudessem comer todos os rebuçados comiam-nos sem pensar, só se queixando quando sofressem alguma dor de barriga. E a L. diz sempre "Srª ontem à noite "agoniava-me" toda e fui ao hospital! Nunca mais me chamavam! Vê-se que eles não fazem nada no hospital! Parece que não lhes pagamos para trabalhar!" . Outra vez em período de eleições perguntou "Srª qual é o partido que dá o subsídio ao meu filho?" (filho inválido, que foi transplatado ao rim, mas continuou a sua desregrada vida na bebida, até o rim ter sido rejeitado)

Papa don't Preach

Apesar de eu ter apenas seis anos quando no verão de 1986 este segundo single do album True Blue foi lançado, lembro-me de querer imitar aquela senhora que julguei um dia ser a mesma do filme Gentlemen Prefer Blondes. Fiquei muito triste quando me desfizeram o equívoco e disseram que a senhora das matinés de domingo na RTP madeira, não era a mesma das roupas de "cabedal" (napa, latex, plástico?!). Ainda perguntei se a Madona não era filha da Marlyn, mas não, definitivamente nenhum laço de parentesco as unia, só na minha tola cabeça.

14.11.06

da educação

O muco que se instalou confortavelmente em cima das minhas cordas vocais é demasiado educado para se atirar para o meio da rua, prefere antes distorcer pateticamente a minha voz.

Pilgrims

Graças ao ranking das escolas os pais dos meninos que vivem na Calheta vão enviá-los todos para Lisboa para ter aulas nas melhores escolas (privadas) do país. Resta saber se estas pessoas, na sua maioria pobres, poderão ser ajudadas pelo estado para pagar estas (caras) escolas e se as mesmas estarão dispostas a mantê-los, caso estes comecem a revelar incapacidades na aprendizagem.

Les misérables


Como pode uma miserável escola da Calheta concorrer com o colégio S. João de Brito?

Comparemos irmãos

Como podemos nós acreditar nos rankings das escolas quando sabemos que o nosso país continua a ter uma das mais baixas médias nos exames nacionais de matemática.

Arquinovela na «Habitar Portugal 2003/2005»

M.F. : Olá M. está tudo bem contigo?
M. : Sim, tudo!
M.F. :
O que tens feito?
M. :
Acabei em fevereiro de 2006 os estágios! Agora estou a fazer um projecto de habitação.
M.F. :
Ai, sim! Mas é habitação multi ou unifamiliar?
M. :
Ah! Não! É bifamiliar! Ahahah. Mas tenho feito outras coisas para ter comida na mesa, não se consegue viver disto!


O que se passa aqui?

O Supremo Tribunal Administrativo deu razão aos alunos e à Universidade Fernando Pessoa e declarou inconstitucional o sistema de admissão na Ordem dos Arquitectos. O anúncio da decisão foi feito hoje pela Associação Portuguesa de Estudantes e Licenciados em Arquitectura (APELA).(...)
Com essa decisão, os alunos da Universidade Fernando Pessoa têm o direito de se inscrever directamente na Ordem dos Arquitectos (OA) sem realizarem estágio, nem prova de admissão”, disse à agência Lusa o presidente da APELA, Diogo Corredoura.


in Público
visto no Meicroft


O que me parece incrível é que nós na FAUTL tenhamos que fazer dois anos de estágio, um para a Faculdade a pagar a propina máxima (este ano de 920 euros), com apresentação final de um relatório com cerca de 50 páginas e de 2 painéis A1 síntese; e outro para a ordem com o pagamento de cerca de 400 euros, ainda com a frequência obrigatória de umas aulitas de deontologia (cadeira que já tivemos no 5º ano do curso!!!???).
Portanto devo presumir que esta burocracia pretende remendar o mau estado da arquitectura no nosso país (que preexiste, toda ,à nossa entrada na profissão). Isto só demonstra que os arquitectos anteriores a estas paneleirices são inaptos para o exercício da profissão.

Fenomenologia da percepção

Santana Lopes deve ter tomado os mesmos "medicamentos" que o sr. Merleau-Ponty.

equilíbrio instável



Jules et Jim François Truffaut