6.12.06
Grinderman
Parece que o sr. Nick Cave mudou-se dos Bad seeds para os Grinderman.
Já se pode ouvir No Pussy Blues no myspace.
qualquer coisa riso
Praesent nec pede ut risus.
(in lorem Ipsum , visto no vade-mécum, não faço ideia do que significa mas também deve ser latim)
5.12.06
"(...)quando encherga vê fora de si o que está dentro de si." 1
(...) I might succeed in constructing the eye as exactly as possible(...)
But to take the eye: I mean the curvature of the eyeball - from that everything else should develop.
WHY? (...)because, when I look at someone, I look at the eyes rather than at the mouth or the point of the nose.
(...)When you look at a face you allways look at the eyes.
(...) even when you look at a blind man, you look where is eyes are, as if you could feel the eyes behind the lids. The eye is something special (...)made of a different material from the rest of the face.(...)
when you represent the eye precisely, you risk destroying exactly what you are(...)
in "What interests me about the head" Giacometti interview with Ernest Scheidegger, Peter Munger, and Jacques Dupin (1966)
1-in "Onde estivestes de noite" , Clarice Lispector
But to take the eye: I mean the curvature of the eyeball - from that everything else should develop.
WHY? (...)because, when I look at someone, I look at the eyes rather than at the mouth or the point of the nose.
(...)When you look at a face you allways look at the eyes.
(...) even when you look at a blind man, you look where is eyes are, as if you could feel the eyes behind the lids. The eye is something special (...)made of a different material from the rest of the face.(...)
when you represent the eye precisely, you risk destroying exactly what you are(...)
in "What interests me about the head" Giacometti interview with Ernest Scheidegger, Peter Munger, and Jacques Dupin (1966)
1-in "Onde estivestes de noite" , Clarice Lispector
30.11.06
Russkiy kovcheg
Russian Ark, Aleksandr Sokurov
Os blogues bons, maus, assim-assim, anónimos ou não são uma espécie de Arca museológica digital das nossas pegadas. Somos animais com arcas na cabeça! Mas assim como funciona o hardware dos computadores temos de "guardar" tudo o que não "nos cabe dentro" cá fora. Fossilizamos para o tempo que podemos, da forma que podemos, em corpos presentes as ausências do amanhã. Temos todos muito medo da perda. Sempre tive medo de morrer só mas tenho a certeza de que é inevitável. E no fim do acto o espírito foge sempre da matéria inerte. Só o que deixámos visto, ouvido, lido, pensado, sentido, tocado, experimentado e sentido fora do corpo resiste ao tempo da própria matéria.
29.11.06
28.11.06
27.11.06
bibelot de natal

É deprimente observar a árvore de natal artificial que "plantaram" no Terreiro do Paço. Não menos deprimente é ver a fila de pessoas que se dirige para esta praça todos "contentinhos" para vê-la iluminada.
Para as pessoas que de vez em quando são obrigadas a passar por ali e não gostam de ver aquele "king kong inanimado", a minha solidariedade. Parece que o objectivo da câmara de desviar as atenções do esburacado e desorganizado da praça foi ligeiramente (só ligeiramente) conseguido. Agora, em vez de olharmos com ódio, falta de paciência, e lamentarmos o aspecto e organização do espaço urbano em causa, fazêmo-lo em relação à feia "árvore". Ó meus Palermas, responsáveis por tamanha estupidez e falta de gosto, ao menos plantavam uma verdadeira!
Basta saltar para fora dos limites do nosso mal amado País para percebermos que sempre fomos um país de gostos duvidosos, e que não herdámos este "gene" dos nossos pais (os Castelhanos).
22.11.06
Intolerance
Esta é a Babilónia imaginada por D.W. Griffith , em 1916, faustosa, imponente, rica, majestosa, digna de ter sido cobiçada pelos Arameus, Assírios, caldeus, e de se ter tornado inimiga dos hebreus, após a destruição de Jerusalém,pelos babilónios, obrigando os Judeus ao Exílio.Como em todas as grandes civilizações,que se construiram na guerra, no saque, e na destruição, nenhum espaço resta para a "tolerância". Aliás, tolerância vem do latim tolerare, que "obriga" à aceitação "caridosa" de condutas morais, culturais e civis divergentes das do sujeito a quem é suposto ter de as suportar.
Se o mundo se tivesse construído na base da "tolerância" nunca se teriam construído as pirâmides, os Zigurats, os templos gregos, as cidades, os castelos, os palácios, as igrejas, nunca as civilizações teriam atingido o seu auge nem a sua queda. Seriamos todos muito "amiguinhos" uns dos outros cada um com o seu "quintal" sempre com o mesmo tamanho, porque chegou primeiro e porque não podia querer ocupar o do vizinho. Nunca existiria espaço público, porque agregado à tolerância vem o sentimento de que eu sou diferente, logo tenho de tolerar o outro no espaço que nos é comum, e como nenhum cede nos seus princípios, a partilha de espaço é ineficaz.
Utopicamente viver numa civilização tolerante é acabar com os conflitos, porque seremos todos capazes de viver "o nosso espaço" porque o outro não nos incomoda. Talvez o ideal de cidade tolerante seja um grande campo amorfo, onde cada indivíduo dentro da sua cápsula consiga suportar a presença do "diferente", e ao mesmo tempo mantendo-se conservado(inalterado) na sua individualidade. É uma cidade incógnita sem características culturais próprias, amedrontada, incapaz de se marcar nas pessoas pela sua demasiada "tolerância" para todos. Não tem forma, porque nem todos gostam de habitar "nas mesmas formas" (diferente de habitar da mesma forma, neste caso é mais "o lugar do corpo").
Se ser tolerante no amor é anular-se na presença do outro e o outro a mesma coisa, passam a ser o quê?
Tolerância é a bomba que detonará a civilização, porque não é suportável e só gera mais raiva e intolerância recalcadas. A contemporaneidade sofre de "tolerancietite"! O modernismo com a sua forma higienista, de emergência e de tolerância de resolver problemas a todos de forma igual, e depois, no estilo internacional, já completamente desprovidos do lugar que os "enformam" e os tornam culturalmente presentes, destruiu a relação indispensável entre o sujeito, o lugar e o seu habitar. É completamente estapafúrdio "enfiar" pessoas em lugares onde nunca moraram, nem nunca morariam. Na Madeira há bairros sociais que até têm uma "arquitectura" aceitável nos meios eruditos da arquitectura (pelo menos antes de alguém ter pela primeira vez usado a retrete) que no entanto foram autênticos fracassos para os fins a que se destinavam (não falo do fracasso da unidade de habitação da Ville marseille do Le Corbusier, porque ainda não estive lá), as pessoas plantavam couves na banheira, portanto não conheciam aquele habitar "empilhado" e segregado socialmente, e geograficamente longe da "cidade".
Uma vez num exame oral de Teoria da Arquitectura um professor interpelou-me depois de eu ter falado nas formas da arquitectura de Gaudí. Perguntou-me se eu achava a forma fundamental no discurso da arquitectura? Respondi-lhe que sem forma não há espaço e que todo o espaço resulta da relação do sujeito que habita com a forma que o "enforma" (porque somos seres em coisa física- o corpo). Embora discorde absolutamente com o modulor do Corbusier , precisamente porque este entende o corpo como uma máquina, ou seja, um somatório de elementos com determinados comportamentos mecânicos, onde se incluem exclusivamente parâmetros objectivos relacionados com métricas (médias), como se de corpos vazios de gente se tratassem.
21.11.06
20.11.06
A vida está cara para ir aos concertos todos que aparecem!
Red Thread, Lisa Germano
Nude as The News, Cat Power
19.11.06
Albert Speer
Nunca foi manipulado pelo Hitler, a sua ambição era semelhante à do Fürher. Como ele, Speer queria "higienizar" e "estetizar" a cidade de acordo com a sua "unividência".Sempre se defendeu durante e após o julgamento em Nuremberga, que não sabia o que se passava nos campos de concentração, coisa estranha para alguém que os teria desenhado e vistoriado, várias vezes. Isto para não falar da destruição projectada por ele de todos os "bairros" Judeus.
O filho, também ele arquitecto e urbanista, que sem medo usa o sobrenome Speer defende-se dizendo sempre que era muito pequeno quando lidou com esse mundo, e que por isso pouco ou nada resta dessas memórias. Faz contudo questão de sublinhar que sem o desenho da cidade a arquitectura boa ou má tem pouca salvação, e que uma arquitectura, mesmo que má, inserida num bom plano urbano terá sempre salvação. Esta visão seria à partida a ideal se as tentativas de "ditar" e "estabelecer" os "parâmetros" de um "bom urbanismo" não tivessem ao longo da história tido as repercussões trágicas que todos nós conhecemos. É demasiado perigoso fazer afirmações de "salvação" pela manipulação do espaço físico, isto porque não tratamos de objectos, não falamos de esculturas sem ninguém dentro. As "casas" "empilhadas" ou "sós" têm "entranhas" para morar gente, e as ruas, praças, jardins, campos, e as relações de espaço privado e espaço público falharão sempre quando se basearem em ideais utópicos de "arrumos" para grupos sociais apelando ao convívio forçado, e consequente guetização de comportamentos e grupos. Haja pachorra!
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