Em Portugal queremos abolir os tons entre o negro e o branco. O cinzento tornou-se um palavrão, sobretudo porque não sendo muito explícito na sua tonalidade (dependente da luz ou da sombra projectada sobre este) é-nos difícil definir na nossa débil condição de neo-intelectuais. Admitamos que formamos um país extremamente provinciano, de conveniências e pré-adolescente. Na nossa humilíssima irresponsabilidade gostamos muito das facilidades globalizantes, esquecendo-nos, porém, dos seus encargos.
Quando tentamos a todo o custo enciclopedizar chavões ditos culturais, parecendo-nos de repente que todos temos de ler isto, ver aquilo ou ouvir aquele outro, fazêmo-lo como pobres actores de um triste espectáculo burlesco. Gil Vicente foi um dos melhores retratistas da "nobre" sociedade portuguesa, basta ler (e agora espeto com a recomendaçãozita à portuga) o Auto da Índia (que por acaso fazia parte de uma leitura obrigatória do ensino Básico, senão talvez nunca o tivesse lido).
Os ditos "meios culturalizantes" num egocentrismo analítico e exaustivo falam entre si de si e para si próprios. Passam dias, anos, décadas refastelados numa chaise longue (e continuamos a apropriar-nos de tudo o que não é tornado nosso) a psicanalisar sobre o próprio umbigo, cheio de cotão e a precisar de uma ordem de desinfestação.
Sobre a Arquitectura ouvem-se conversas de café, de restaurante (ou de qualquer outro similar lugar onde o português, como bom burguês, enche a pança e esquece as contas para pagar), em que a star persona (o sr. arquitecto), dependendo da personagem que o analisa, passa de besta a bestial. Claro está, que para todos os não "entendidos" na matéria arquitectónica não há espaço de opinião, "Nós os arquitectos é que sabemos!" Tudo "inserido em contexto" (contado por nós) tem explicação e a explicação hoje em dia é o que basta para a legitimação do que pode ou não ser arquitectónico (triste saber, não é?). Fatalmente a era analítica tem-se tornado numa forma psicótica de legitimação existencial de objectos "o rei vai nú" (isto é, que por si, sem referência teórica, não valem nada em absoluto).
26.1.07
a culpa herdada ou adquirida
Todos nós somos responsáveis pelos senhores que nos governam, e pela forma como os deixamos governar, mesmo que neles nunca tenhamos votado!
25.1.07
a mulher com voz de homem ou o homem com postura de mulher?
Esta é a questão formalizada hoje, que na altura com os meus 7 ou 8 anos me intrigava. Desconhecia o que era este senhor em vestes e maquilhagemextravagantes.
Hoje em dia continuo sem conseguir explicar o fenómeno, mas em adulta (se me posso considerar) e ao contrário de em criança, habituei-me à personagem e acomodo-me sem tentar perceber o que se passou com este senhor para se transformar nesta persona.
Louvo, contudo, a gestão de carreira de Bowie que, apesar de outros terem continuado, com a idade, na sua extravagância (ridícula com as rugas ou o tentar apagar das mesmas), este tenta agora (mesmo na música) uma outra forma de abordar o público, menos camaleónica. Devo dizer que continuo a preterir o Bowie de hoje ao espampanante e genial de ontem.
23.1.07
13.1.07
sete euros e meio de sorte
À primeira vez que jogo num jogo de cruzes ganho 7,5 euros! Os sortudos foram o 14, o 25 e a estrelinha 5. Contudo gastei 4 euros nessa aposta e quando fui buscar o prémio apostei outros 4 euros , ou seja, ainda investi 50 cêntimos, claro está a fundo perdido.
3.1.07
2.1.07
il Gattopardo
dias menos estranhos vistos de perto


Fotografias roubadas daqui ao blog do César e da Nancy. Já estive nesta torre invertida, chamada de poço iniciático, na quinta da Regaleira, em Sintra.
mudar de casa
Esta já é a nona casa da minha vida. Vivi em 8 casas, e durante o meu vigésimo quinto ano de vida mudo-me para a nona casa. Ao fim alguns anos de experimentada vida de cigana, com a casa às costas, perdia sempre parte do registo da minha vida (desenhos, roupas, brinquedos). Sempre me diziam, os menos crianças, que a vida ganha novas coisas, para preencher as deixadas para trás. Mas essas coisas sempre me deixaram vácuos, buracos vazios...nunca as recuperei e muito menos consegui camuflá-las, com coisas novas!
Então passei a achar que se as largasse seria mais fácil esquecer-me delas, porque tinha sido eu a decidir deixá-las. Mas quem disse que os desenhos rasgados, as maquetas destruídas e um infindável número de coisas nunca feitas deixavam menos buracos vazios dentro de nós? Enganou-se!
Lixo chamam-lhe os mais minimalistas que pretendem casas limpas respiráveis de vacuidade, memórias sem fantasmas lugares "brancos" para tentar não os pisar de novo...engana-se novamente! Os passos estão marcados no corpo, nem estão nas coisas, estas servem-nos apenas de âncoras a agarrar-nos à matéria, que nos impõe a gravidade da condição humana!Uma coisa poucas vezes significa exactamente a mesma coisa para todos nós há sempre pequenas variações.
Mudar de casa impõe-se que seja um acto de escolha expedito, sem olhar para trás! No amor não chega olhar para o passado e muito menos avançar para o futuro. A vida é aqui e agora, a mudança é aqui e agora, não se pensa se vai ou não resultar, é pensado mas inconsequente, ninguém adivinha o amor de amanhã, mesmo sendo o mesmo espero-o sempre em si diferente de ontem e decepcionante de expectativas futuras. Amo-o hoje e o hoje é sempre todos os dias.
in vaziodegente 2006
Então passei a achar que se as largasse seria mais fácil esquecer-me delas, porque tinha sido eu a decidir deixá-las. Mas quem disse que os desenhos rasgados, as maquetas destruídas e um infindável número de coisas nunca feitas deixavam menos buracos vazios dentro de nós? Enganou-se!
Lixo chamam-lhe os mais minimalistas que pretendem casas limpas respiráveis de vacuidade, memórias sem fantasmas lugares "brancos" para tentar não os pisar de novo...engana-se novamente! Os passos estão marcados no corpo, nem estão nas coisas, estas servem-nos apenas de âncoras a agarrar-nos à matéria, que nos impõe a gravidade da condição humana!Uma coisa poucas vezes significa exactamente a mesma coisa para todos nós há sempre pequenas variações.
Mudar de casa impõe-se que seja um acto de escolha expedito, sem olhar para trás! No amor não chega olhar para o passado e muito menos avançar para o futuro. A vida é aqui e agora, a mudança é aqui e agora, não se pensa se vai ou não resultar, é pensado mas inconsequente, ninguém adivinha o amor de amanhã, mesmo sendo o mesmo espero-o sempre em si diferente de ontem e decepcionante de expectativas futuras. Amo-o hoje e o hoje é sempre todos os dias.
in vaziodegente 2006
o mais longo e sensaborão conto do mundo
A rapariga que se recusara casar com o rapaz, passou a ter mais tempo para construir a personagem que há muito projectara sobre si. Agora tinha a possibilidade de refazer-se numa amálgama de várias imagens justapostas, rigorosa e criteriosamente seleccionadas. Finalmente poderia dispender todo o seu tempo a cobrir com a sua burka o seu eu que repugnava. Fez-se uma nova mulher bombista que há muito já tinha implodido todo o seu interior, estava esburacada, e vazia, restava-lhe agora implodir o seu exterior e construir-se à sua imagem.
Mas assim como em muitas obras esta seria eterna, interminável, a exigência nunca possibilitava que a burka fosse retirada e nunca se viu de novo o rosto da mulher invisível.
in vaziodegente 2006
Mas assim como em muitas obras esta seria eterna, interminável, a exigência nunca possibilitava que a burka fosse retirada e nunca se viu de novo o rosto da mulher invisível.
in vaziodegente 2006
e a roupa tinha vida própria
A roupa vivia independente, dançava ao seu próprio ritmo, odiava que o corpo a mandasse ajustar, e coordenar-se consigo! Ela era e pronto! Existia por si e não precisava do corpo para nada. A ela ele já não lhe dizia nada. Gostava tanto da sua epiderme de tecido, que passou a odiar o corpo que ditador lhe dizia como comportar-se! Então decidiu despir-se do corpo e viver em liberdade.
Mas o vento, amante do corpo, não perdoou a sua leviandade, e largou um grito surdo de raiva que logo fê-la esvoaçar. Nem as molas do estendal, onde se tinha prendido, a salvaram!
Hoje encontra-se muito suja a entupir uma sargeta.
Mas o vento, amante do corpo, não perdoou a sua leviandade, e largou um grito surdo de raiva que logo fê-la esvoaçar. Nem as molas do estendal, onde se tinha prendido, a salvaram!
Hoje encontra-se muito suja a entupir uma sargeta.
28.12.06
Financiamentos Regionais
Não tenho nenhuma simpatia nem solidariedade em relação ao presidente da R.A.M, o dr. Alberto J. Jardim, mas parece-me que a falta de cultura e conhecimento histórico é geral, preocupante e confrangedora.Aos queridos que ainda não perceberam que a Madeira enriqueceu culturalmente e urbanisticamente, devido à produção do açúcar, leiam isto.
27.12.06
origem dos lugares
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- trapiche

- do Cast. trapiche < Lat. trapetu, mó de lagar de azeite <>trapetón, de trapein, esmagar
- s. m.,
- moinho para extrair o suco da azeitona ou da cana do açúcar;
- moinho para extrair o suco da azeitona ou da cana do açúcar;
- Chile,
- moinho onde se mói o mineral;
- moinho onde se mói o mineral;
- armazém de mercadorias para embarque, junto ao cais.
- do Cast. trapiche < Lat. trapetu, mó de lagar de azeite <>trapetón, de trapein, esmagar
origem dos lugares
|
- choupana

- s. f.,
- cabana;
- cabana;
- casa rústica de madeira, coberta de ramos ou de colmo;
- casa rústica de madeira, coberta de ramos ou de colmo;
- choça de pastor.
- s. f.,
Montado do Pereiro
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|
- montado

- s. m.,
- terreno povoado de sobreiros ou azinheiras e onde pastam porcos;
- terreno povoado de sobreiros ou azinheiras e onde pastam porcos;
- adj.,
- posto sobre o cavalo;
- posto sobre o cavalo;
- colocado à maneira de cavaleiro;
- colocado à maneira de cavaleiro;
- equipado;
- equipado;
- guarnecido;
- guarnecido;
- provido do necessário;
- provido do necessário;
- engastado;
- engastado;
- assestado.
pereiro | s. m. - pereiro

- s. m., Bot.,
- variedade de macieira que dá pêros;
- variedade de macieira que dá pêros;
- pereira brava;
- pereira brava;
- Minho,
- diz-se do boi que tem as pontas muito levantadas.
- s. m., Bot.,
- s. m.,
origem dos lugares
|
- monção

- do Ár. mausim, estação do ano
- s. f.,
- tempo favorável à navegação;
- tempo favorável à navegação;
- vento periódico;
- vento periódico;
- fig.,
- boa ocasião;
- boa ocasião;
- ensejo favorável.
- do Ár. mausim, estação do ano
origem dos lugares
|
- rabaçal

- s. m.,
- terreno onde há rabaças;
- terreno onde há rabaças;
- variedade de queijo português.
- s. m.,
origem dos lugares
|
- caxias

- adj. e s. m., Brasil, pop.,
- diz-se de, ou indivíduo escrupuloso no cumprimento das suas obrigações.
- adj. e s. m., Brasil, pop.,
origem dos lugares
|
- areeiro

- s. m.,
- pequeno vaso com areia fina que se deitava na escrita para secar a tinta;
- pequeno vaso com areia fina que se deitava na escrita para secar a tinta;
- lugar donde se tira areia;
- lugar donde se tira areia;
- areal;
- areal;
- o que transporta areia;
- o que transporta areia;
- Ictiol.,
- peixe semelhante ao linguado.
- s. m.,
origem dos lugares
|
- garajau

- s. m., Ornit.,
- ave aquática palmípede;
- ave aquática palmípede;
- gaivina;
- gaivina;
- Brasil,
- cesto oblongo e fechado, de levar galinhas e outras aves ao mercado;
- cesto oblongo e fechado, de levar galinhas e outras aves ao mercado;
- cesto para transportar peixe seco;
- cesto para transportar peixe seco;
- Açores,
- andorinha-do-mar.
- s. m., Ornit.,
The Crucifixion and The Last Judgment
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