17.7.08

run away

Counting down. Never hide what you can't find again.

Pitter Patter Goes My Heart



Broken Social Scene, to JCR

11.7.08

Teus passos(...)

Não és os outros(...)
Também é pó cada palavra escrita
Por tua mão ou o verbo pronunciado
Pela boca. Não há pena no Fado
E a noite de Deus é infinita.
Tua matéria é o tempo, o incessante
Tempo. E és cada solitário instante.


in
"Ápice"; "Obras Completas; Vol. III", Jorge Luis Borges

"(...)essa doce rotina(...)pode ser última."1

Calam-se as cordas.
A música sabia
Tudo o que eu sinto 2


1 e 2
Borges, Jorge Luis"Obras Completas-vol III".

1 in"A Cifra"
2 in "Dezassete haiku"

4.7.08

"A espera"

"Antes que venhas,
Um monge tem de sonhar com uma âncora,
Um tigre tem de morrer em Samatra,
Nove homens têm de morrer em Bornéu"

in "História da Noite", Obras Completas III, Jorge Luis Borges

"Cada um define-se para sempre num só instante da sua vida(...)"

"Com infinita piedade, Dante refere-nos o destino dos dois amantes e sentimos que ele inveja esse destino. Paolo e Francesca estão no Inferno, ele salvar-se-à, mas eles amaram-se e ele não conseguiu o amor da mulher que ama, de Beatriz. Nisto há também uma certa jactância, e Dante tem de senti-la como uma coisa terrível, porque ele já está ausente dela. Em contrapartida, estes dois réprobos estão juntos, não podem falar-se, rodam no negro remoinho sem nenhuma esperança, nem sequer nos fala Dante da esperança de que os sofrimentos cessem, mas estão juntos. Quando ela fala, usa o nós; fala pelos dois, outra forma de estarem juntos. Estão juntos para a eternidade, compartilham o Inferno e isto para Dante tem de haver sido uma espécie de Paraíso."


in "Sete Noites", Obras Completas III, Jorge Luís Borges

1.7.08

The Beat



Desenho:Marta Freitas (com a circulação parada, movimentar as mãos sobre o papel, não parar. Nunca parar.)

"(...)compasso binário e coercivo."1



1 in "As Anotações de Malte Laurids Brigge", Rainer Maria Rilke
Desenho: Marta Freitas (sob o stress da entrega de coisas sem sentido, provavelmente antes da hora de almoço)

absolutamente nada



Desenho: Marta Freitas (feito depois de ouvir, algumas vezes, de um "superior hierárquico": "Mas que mania de torceres tudo!")

"O desejo de ter uma morte pessoal torna-se cada vez mais raro."1



1 in "As Anotações de Malte Laurids Brigge", Rainer Maria Rilke
Desenho: Marta Freitas (feito numa selva de epidermes depois de dormência momentânea)

"Sentia pavor de ver um rosto por dentro,(...)"1



1 in "As Anotações de Malte Laurids Brigge", Rainer Maria Rilke.
Desenho: Marta Freitas (feito num atelier "empresa" para escapar à morte da espinha que liga o coração, o cérebro e o movimento)

muros sem fim

" «Riez! (Ria!)» Intervalo «Riez! (Ria!) Mais riez, riez. (Mas ria, ria)». Eu já estava a rir. É inexplicável porque é que o homem do lado não queria rir. Uma máquina começou a vibrar, mas voltou a calar-se novamente; houve uma troca de palavras, depois ergueu-se outra vez a voz enérgica e ordenou « Dites nous le mot: avant. (diga-nos a palavra: antes.)» Soletrando « a-v-a-n-t (a-n-t-e-s)» ...Silêncio. «On n'entend rien. Encore une fois: ... (Não se ouve nada. Outra vez: ...)»


in "As anotações de Malte Laurids Brigge" , Rainer Maria Rilke

29.6.08

Gorilas ou chicletes? Doesn't matter, just Choose the flavour



Generation sex ; Divine Comedy

samba architecture



autor: Filipe Balestra

Ver também em http://www.2bros.org/

casas provisórias

"Apercebemo-nos, é certo, de que não sabemos o nosso papel, procuramos um espelho, queremos descaracterizar-nos, despojar-nos do que é falso e ser autênticos. Mas algures, preso em nós, permanece ainda um pedaço de disfarce de que nos esquecemos. Nas nossas sombrancelhas fica um vestígio de exagero, não notamos que os cantos da boca estão retorcidos. E assim andamos nós, escárnio e metade de nós mesmos: nem seres autênticos nem actores."

in "As anotações de Malte Laurids Brigge" Rainer Maria Rilke

27.6.08

"Não, não: nada se pode imaginar neste mundo, nem a coisa mais infíma. Tudo é de tal modo composto de pormenores únicos que não se podem prever. Ao imaginar passamos por cima deles e não notamos a sua falta, tão rapidamente se imagina. Mas as realidades são lentas e indescritivelmente minuciosas. (...)

Não pensava no meu coração. E quando mais tarde me lembrei dele, (...) era apenas um coração particular, que já estava prestes a recomeçar desde o princípio.

Sei que me julguei incapaz de partir imediatamente. Primeiro é preciso deixar tudo em ordem, repetia para comigo. O que era preciso deixar em ordem não era claro para mim. Não havia por assim dizer nada a fazer. (...)

Mas isso não tranquilizava a minha consciência. Vinha-me ao de cima a suspeita de que nenhuma destas influências e circunstâncias fora ainda verdadeiramente ultrapassada. Um dia tinha-as deixado em segredo, tão inacabadas como estavam. Também a infância haveria de algum modo de ser completamente realizada, se não se quisesse dá-la por perdida para sempre. E, à medida que ia percebendo como a perdera, sentia também que nunca haveria de ter mais nada a que pudesse apelar."

in "As Anotações de Malte Laurids Brigge", Rainer Maria Rilke

28.10.07

Work will save me

Dei por mim a comprar um bilhete extra. Sou mesmo pacóvia. Não somos mais nada. Só me resto a mim, ao meu trabalho. Deixa-me ser feliz em paz longe da tua sombra. Não te queria ouvir, nem ver nos próximos anos, sei que é impossível, pelo menos antes de dividirmos aquilo que ainda nos mantém virtualmente juntos.

assume de uma vez as consequências das tuas decisões

Acabou-se a palhaçada, os palhaços abandonaram o circo, só ficaste tu. Eu fui com os últimos palhaços, para tentar tirar a tinta branca da cara e o riso falso pintado a encarnado, sem audiência a ver-me. Pelos vistos é quando estás só que queres que o circo reabra. Lamento já não sou palhaça. Agora vou trabalhar antes do sol nascer e chego a casa depois do sol morrer.

Shall I repeat? It's time to move on. Your world isn't mine. I guess I never fited in, so forget that I exist, and I'll forget that I ever met you

Infelizmente há quem divida o mundo em "winners and loosers". Nunca caí nessa esparrela, e quando alguém, que eu tinha em muito boa conta, me passou um texto desses para as mãos, confirmei realmente que nunca pertenceria ao mundo dessa pessoa, sou demasiado insignificante para mim própria para querer atingir o "estrelato" de um "winner". Gosto de manter os meus pés de barro na terra. A vida das pessoas comuns não é feita de massa folhada.
Enfim, sorte para ti. Que tenhas o que queres.

Time to move on

8.9.07



Le Paradis était l'endroit où l'on savait tout mais où l'on n'expliquait rien. L'univers d'avant le péché, d'avant le commentaire...

Cioran, De l'inconvénient d'être né, folio essais, p. 193

Factory girl



Si on ne portait pas les stigmates de la vie, qu'il serait aisé de s'esquiver, et comme tout irait tout seul!

Cioran, De l'inconvénient d'être né, folio essais, p. 240

7.9.07

Levé avec force projets en tête, j'allais travailler, j'en etais convaincu, toute la matinée. A peine m'etais-je assis à ma table, que l'odieuse, l'infâme, et persuasive rengaine: "Qu'es-tu venu chercher dans ce monde?" brisa net mon élan. Et je regagnai, comme d'ordinaire, mon lit avec l'espoir de trouver quelque réponse, de me rendormir plutôt.

Cioran, De l'inconvénient d'être né, folio essais, p. 192
Vous me disiez que la mort n'existe pas. J'y consens, à condition de préciser aussitôt que rien n'existe. Accorder la realité à n'importe quoi et la refuser à ce qui paraît si manifestement réel, est pure extravagance.

Cioran, De l'inconvénient d'être né, folio essais, p. 173
Tout ce que nous poursuivons, c'est par besoin de tourment. La quête du salut est elle-même un tourment, le plus subtil et le mieux camouflé de tous.

Cioran, De l'inconvénient d'être né, folio essais, p. 171
L'histoire, à proprement parler, ne se répète pas, mais, comme les illusions dont l'homme est capable sont limitées en nombre, elles reviennent toujours sous un autre déguisement, donnant ainsi à une saloperie archidécrépite un air de nouveauté et un vernis tragique.

Cioran, De l'inconvénient d'être né, folio essais, p. 161