17.8.08

casa

















16 comentários:

Eduardo Cardozo disse...

Bons desenhos, gostei de um em particular.

Marta disse...

Qual?

João Miguel disse...

o meu predilecto é o gato do Tomás. Nunca me esquecerei que foi a primeira coisa que me mostraram quando entrei naquela casa.

Marta disse...

ah muito bem primito! ahahah
Por acaso o safado disse que foi a Eva " Vês como a Eva não sabe desenhar!" disse ele.

Eduardo Cardozo disse...

O sétimo a contar de baixo.

Marta disse...

ahahah! Acho que estou a ficar cota, esse já tem dez anos.

João Miguel disse...

esse está muito interessante. porque desenhas preferencialmente o corpo humano ?

Marta disse...

Olha joãozito, se queres que te diga não sei exactamente. ahah
Mas talvez porque nós somos o princípio e o fim de tudo.

Li um livro muito bom de um pensador/filósofo francês (traduzido), Maurice-Merleau Ponty, "A fenomenologia da percepção". Devias lê-lo talvez não agora, mas daqui a uns 3 ou 4 anos.

O livro centra-se na forma como estamos e percepcionamos o mundo. No fundo a percepção é a forma do mundo existir, e sendo nós parte dele (mundo) sem nós o mundo deixa de existir, porque tudo o que não conheço não existe. Esta noção fez-me muita confusão, mas faz muito sentido na arquitectura, senão trata-se de um mundo virtual e não conseguimos habitar em visões ou sonhos.

E um louco constrói o mundo da sua forma, e não é certamente igual ao nosso. Assim como cada louco ou cada um de nós, a "norma" (construção social e cultural)está no mundo de forma diferente. Cada um adapta-se às suas percepções (não tem só haver com os sentidos, é mais complexo).

jraulcaires disse...

Também gosto do sétimo a contar debaixo. Lembra-me Matisse. Não que não goste dos outros.

Merleau Ponty tem um livrinho interesante, chamado o olho e o espírito, que está traduzido pela vega, em que fala da pintura como uma coisa "corpória", algo matérico, para além da figura e não por acaso se refere a Cézanne.

Na pintura, até podemos "habitar" em visões e em sonhos.

E na Arquitectura?

Marta disse...

Na arquitectura podem-se materializar sonhos, mas não habitá-los enquanto sonhos.

Só o conseguimos em sonhos, são momentos etéreos, não são "cá" no mundo matérico, inteiro, corpóreo.

Temos peso, fazemos sombra, somos som, e partilhamos o nosso m2 no mundo. Não vivemos na nossa cabeça.

João Cerdeira disse...

E a arquitectura só é arquitectura quando realmente é materializada, sendo que a mesma é vista como uma ferramenta ao serviço do ser humano, cujo objectivo final é proporcionar-lhe conforto, qualidade de vida, bem-estar físico ou espiritual.

É uma visão acertada da arquitectura?

As pessoas não andam em estradas de papel, nem habitam casas idealizadas nem andam em comboios pensados.

Tudo tem que ser materializado.

Na arquitectura onde está a fronteira entre o artista e o executante?

Foge um pouco do que estava a ser discutido mas gostava de saber a vossa opinião.

Marta disse...

Muito bem primo. Tens uma visão acertada no que se refere à arquitectura.

"Na arquitectura onde está a fronteira entre o artista e o executante?" Pois é, isto é o grande dilema, da "modernidade".

Veja-se um grande arquitecto , o Gaudí, que era também executante. Como poderá um "mestre" perceber do seu ofício se nunca o tiver executado? Como fará uma homem um cesto se não apanhar os vimes e saber como se comporta este material. Senão não saberá como torcê-lo, como entrelaçar, como cortar, as limitações do material e a que se adequa.

Pois na arquitectura separam-se dois mundos o do arquitecto "designer" que só percebe de "epidermes" estetizantes, e o do arquitecto construtor que entende o mundo como um aglomerado de materiais (epidermes também mas neste caso sabe como explicar a sua aplicação e execução). Portanto dois mundos vazios, que mesmo que adicionados resultam em zero de arquitectura.

Ora então? Quando falamos de arquitectura? Se não falamos de estetas (construtores ou designers)?

Pois mas como disse-me um professor uma vez ( e acertadamente) a estética é uma dimensão. Portanto é mais complexo do que uma pele.

Comparemo-la então a um organismo. Porque é que um corpo humano é "belo"? Não será porque quando olhamos para o movimento que faz vemos a pele, mas sentimos os feixes musculares e a sua sustentação, a ossatura, e tudo entranhado por uma "alma", "persona" que quando em "harmonia" sentimos fazer parte de um todo,de todas as partes em uníssono.

"criação", esta palavra é maldita ou abusada por muitos arquitectos, quando deveria ser entendida no seu contexto. Ora "criação" não tem haver com "devaneio" ou "irrealidade" ou fantasia". Tem antes porém haver com um processo de maturação, que se inicia nas circunstâncias em que surge a pré-arquitectura. Ou melhor no seu lugar, dos desejos de quem sonha com o que pretende de um espaço, e do lugar em que vai nascer a coisa. Por isso não gosto da palavra "implantação" deveria porém ser um enxerto (que tem haver com implantação) mas mais aproximado do que se pretende. Ora assim como num organismo, e sabendo que os "lugares" são já em si organismos (preexistem às "coisas" que lá implantamos)quando se entende enxertar um novo organismo o receptor do mesmo enxerto só o deixará "brotar" se o enxerto se identificar ou não for "estranho" ao lugar enxertado.

Ora quando fazemos um enxerto, é preciso antes entender muito bem o enxertado,tanto nos sua vertente física (topografia, geologia, clima, etc) como na sua vertente humana (não tanto sociológica mas mais antropológica, o grande erro da arquitectura é entender os lugares humanos de forma estatística).Ou seja antes de mais a arquitectura é um bem cultural (não uma coisa de museus) mas cultural enquanto pertença de um lugar (e como Ponty concordaria o lugar n é uma realidade física com curvas de nível, tem gente que o"enforma" , de formação).

Enfim a discussão daria ainda mais parágrafos...
Mas é mais ou menos por aqui, sr. primo engenheiro.

João Cerdeira disse...

Concordo com o que escreves-te. É pena que até durante a nossa formação o enxertado seja relegado para segundo plano e seja simplesmente visto como uma realidade física projectada num plano, ou como um dado estatístico como referiste.

Mas eu acredito que vocês, arquitectos, sofram nesta sociedade obcecada pela imagem e pelo imediatismo, pois se há coisa que nos é constantemente transmitida é que tempo é dinheiro e então tudo tem de ser processado de uma forma rápida, simples e eficiente onde etapas de estudo prévio e consciencialização da realidade existente antes da intervenção, são erradamente abreviadas e desvalorizadas.

Relativamente ao que me tinhas falado do arco parabólico catenário de Gaudí fui investigar e já tinha ouvido falar da técnica mas não me foi transmitida como uma criação de Gaudí. Contaram-me que o emprego desta técnica já remonta aos anos que antecederam o nascimento de Cristo.

E essa técnica muito utilizada por Gaudí, que careceu durante muito tempo de uma explicação física, penso que foi disseminada pela via teórica, com recurso à matemática e à física pelo famoso matemático e físico suíço Leonhard Euler. E alguém depois dele deve ter continuado esse trabalho.

O que é certo é que Gaudí usou e abusou desta técnica tendo apurado o seu conhecimento.

Os arcos resultam em estruturas bastante interessantes. Quando penduramos uma corrente ela assume uma determinada forma, que depende unicamente do seu peso próprio, ou seja, a corrente está traccionada em função das forças do peso próprio.

Ao colocarmos dois pesos em dois lugares diferentes dessa mesma corrente, esta assume uma configuração diferente, adaptada às novas forças que tem que suster.

Se eu inverter a corrente, esta ficará carregada no sentido inverso e corresponderá à forma perfeita de um arco com capacidade de suporte face às forças que anteriormente apliquei na corrente.

É um bom passatempo tentar construir um arco com pedras na praia e colocarmo-nos no cimo do mesmo, verificando que o arco está apto a resistir à força do nosso peso.

Um esforço de flexão é um esforço que tende a curvar o eixo longitudinal da peça. Imaginem uma régua de plástico. Se eu pegar nas duas extremidades e tentar dobrar a régua estou a impingir um esforço de flexão. Se, por outro lado, agarrar nas duas extremidades da régua e tentar aumentar o comprimento desta “esticando-a”, estou a imprimir um esforço axial (ao longo de um eixo). Neste caso o esforço axial designa-se de tracção porque estou a esticar a régua e não a comprimi-la (compressão).

Os arcos são estruturas preferencialmente sujeitas a esforços axiais. Para resistir à flexão um elemento necessita de ser “gordo”, para “não se deixar dobrar”. Para resistir ao esforço axial nem tanto. Por isso os arcos podem resultar em estruturas extremamente leves como é o caso do arco da ponte D. Maria Pia no Porto.

O famoso Eng. Edgar Cardoso projectou a Ponte da Arrábida, também sobre o rio Douro, recorrendo a um arco. O interessante deste caso reside no facto deste Eng. ter concebido modelos à escala, com carregamentos também na respectiva proporção, o que lhe conferia uma visão e conhecimento da estrutura melhor e mais exacta do que qualquer formulação matemática, pois ele tinha no seu modelo a interacção de muitas variáveis que mais tarde interferem e estão presentes na estrutura real.

Isto também dava mais alguns parágrafos priminha.

Marta disse...

Sim senhor, tenho um primo muito inteligente. eheh

Olha vou fazer copy paste da tua explicação e colocá-la no Blogue. bjs

João Cerdeira disse...

Muito obrigado. É que eu tive 10 anos sem te ver, então agora tenho que te contar o que aprendi lol.

Mas eu gosto de arcos, por isso é que sei estas histórias.
bj

Marta disse...

pois foram 10 anos.ahah